domingo, 18 de abril de 2010

Porto Alegre como sede

Copa do Mundo1950

Brasil
Rio Grande do Sul
Porto Alegre é uma das sedes

- Em 1946 a FIFA reuniu-se em Congresso para definir qual seria a sede da próxima Copa do Mundo.
A II Guerra Mundial impedira a realização dos Mundiais de 1942 e 1946, e a entidade máxima pretendia realizar a próxima competição em 1949.

O Prêmio
Taça Jules Rimet

O Brasil, que já era candidato a ser sede da Copa de 1942, novamente lançou sua candidatura, com a condição que a competição fosse realizada em 1950.
A FIFA aceitou, e o Brasil começou seus preparativos.

As Sedes
Seis cidades brasileiras foram escolhidas como sedes:
Rio de Janeiro - DF, 
São Paulo - SP, 
Belo Horizonte - MG, 
Porto Alegre - RS, 
Recife - PE,
Curitiba - PR.

Logo a seguir, começou a discussão sobre os estádios que sediariam a Copa no Brasil.
Em Porto Alegre, até o início de 1948 os jornais debatiam sobre a construção do Estádio Municipal.
Obra dada como certa em 1947, aos poucos foi sendo abandonada, diante dos custos que acarretaria.

Na verdade, dos seis estádios usados no Mundial, apenas dois (o Maracanã, no Rio de Janeiro, e o Independência, em Belo Horizonte) foram construídos especialmente para o Mundial.

Os principais estádios de Porto Alegre, na época, eram a Baixada, do Grêmio, a Montanha, do Cruzeiro, a Timbaúva, do Força e Luz, e os Eucaliptos, do Internacional.

A Baixada era usada pelo Grêmio praticamente desde sua fundação, tendo sofrido reformas ao longo de quase 50 anos.
A Montanha era o mais recente, inaugurado em 1941.
A Timbaúva era de 1935.
E os Eucaliptos, de 1931.
A CBD  (Confederação Brasileira de Desportos) decidiu-se pelo estádio dos Eucaliptos do colorado, que teve de passar por reformas para sediar jogos da Copa.
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Estádio dos Eucaliptos - durante a Copa - 1950
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O estádio do Internacional, que desde 1944 chamava-se, oficialmente, Ildo Meneghetti, tinha capacidade para 10.000 pessoas, com um pavilhão de madeira no lado da rua Silveiro, e um pavilhão de concreto no lado oposto.
Com as reformas, o pavilhão de madeira foi substituído por outro, de concreto, e a capacidade do estádio duplicada.

O Grupo A - Porto Alegre
México
Suiça
Iuguslávia

Os Eucaliptos sediaram duas partidas do Grupo A.

A primeira partida ocorreu em 29 de junho de 1950, entre Iugoslávia e México. Era um jogo importante, pois um dia antes o Brasil, que já havia batido o México, empatara com a Suíça. Se a Iugoslávia, que havia derrotado os suíços, vencesse o México, assumiria a liderança do grupo e jogaria pelo empate, contra o Brasil, para decidir quem iria para o Quadrangular Final.

Apesar de contar com Carbajal, goleiro que tornaria-se recordista em Mundiais disputados (1950, 1954, 1958, 1962 e 1966), além de ser escolhido o melhor de sua posição da Concacaf no século XX, o México não tinha condições de resistir ao bom futebol dos iugoslavos. Na primeira etapa a Iugoslávia já vencia por 2x0, e acabaria fazendo 4x1, preocupando a torcida brasileira.

Jogo: 29/06/1950 - Iugoslávia 4x1 México

Juiz: Reginald J. Leafe (Inglaterra)

Público: 12.000

Gols: Bobek 20' e Čajkovski 23' do 1º; Čajkovski 6', Tomašsević 35' e Ortiz (pênalti) 44' do 2º

IUG: Mrkušić; Horvat, Stanković e Zl. Čajkovski; Jovanović e Djajić; Mihajlović, Mitić, Tomašević, Bobek e Čajkovski

MEX: Carbajal; Gutierrez, Gomez e Ruiz; Ochoa e Flores; Naranjo, Ortiz, Casarin, Peréz e Velasquez

A partida seguinte não atraiu muito a atenção da torcida porto-alegrense, eufórica com a classificação do Brasil.

No dia 1º de julho de 1950 o Brasil bateu a Iugoslávia e classificou-se para a fase final.

Em Porto Alegre, no dia seguinte, bateriam-se México e Suíça, já eliminados.
Na hora da partida, um contratempo: " A Suíça jogava com um uniforme vermelho, e o México de grená. O árbitro sueco Ivan Eklind considerou que os uniformes eram muito parecidos, e exigiu que uma das equipes trocasse as camisas. Como nenhuma das seleções tinha uniforme reserva, foi feito um sorteio para decidir quem teria de arrumar um jogo de camisas emprestado. O México venceu o sorteio, mas como havia sido muito bem recebido na cidade, decidiu ele trocar de camisas e usar o uniforme de um dos clubes da capital gaúcha. O Internacional não poderia ser, pela cor (vermelho). A opção foi utilizar o uniforme do Cruzeiro (azul). Mas até buscar-se um jogo de camisas no estádio da Montanha, a partida atrasou em 25 minutos."

Os mexicanos não conseguiram segurar os suíços, que garantiram sua única vitória na competição. Novamente, ainda na primeira etapa o México já havia levado dois gols.

Jogo: 02/07/1950 - Suíça 2x1 México

Juiz: Ivan Eklind (Súécia)

Gols: Bader 10' e Antenen 44' do 1º; Casarin 44' do 2º

SUI: Hug; Neury, Bocquet e Lusenti; Eggimann e Quinche; Antenen, Friedländer, Tamini, Bader e Fatton

MEX: Carbajal; Gutiérrez, Gomez e Ochoa; Ortiz e Roca; Flores, Naranjo, Casarin, Borbolla e Velázquez


O Adeus dos Mexicanos
Os mexicanos gostaram muito de Porto Alegre, principalmente da noite da cidade.
Assíduos frequentadores dos cabarés porto-alegrenses, em campo mal conseguiam correr.
Quando voltou ao México, a seleção foi dissolvida, por "comportamento inconveniente".
Poucos daqueles atletas voltariam a vestir a camisa mexicana.

A Copa do Mundo continua no centro do país
A Copa continuou, com Brasil, Espanha, Uruguai e Suécia ainda sonhando com o título.
O Brasil dava show, goleando Espanha e Suécia.
Quase ganhou o título por antecipação, pois na 2ª rodada o Uruguai, que já havia empatado com a Espanha, empatava com a Suécia até os 40' do 2º tempo, quando conseguiu a vitória que o manteve vivo.

A Final
Na última partida, contra o Uruguai, o Brasil podia empatar, saiu na frente, mas levou o gol da virada faltando 11 minutos para o final do jogo.
Foi o terrível "Maracanazo".

Nesta Copa, a Seleção Brasileira contou com dois colorados (Internacional), Adãozinho e Nena, que não atuaram em nenhuma partida.
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Brasil
VEJA, maio de 1948
A dois anos do primeiro Campeonato Mundial de Futebol
do pós-guerra, os preparativos para o torneio no Brasil seguem
a passos de tartaruga.
Os cartolas da Fifa estão preocupados
O moderno estádio municipal do Pacaembu, em São Paulo: um dos poucos campos prontos para receber a Copa do Mundo

No Congresso da Fifa em Paris, o representante da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), jornalista Célio de Barros, lançou a candidatura do Brasil a país-sede do Campeonato Mundial de Futebol de 1942. 

O presidente da FIFA, Jules Rimet recebeu a proposta e agradeceu o entusiasmo, porém deixou claro que a Alemanha era a preferida. Os tedescos apresentaram sua postulação um par de anos antes e já tinham sediado com sucesso os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936 – assim, levavam ampla vantagem na corrida. Os figurões do futebol só não contavam com os delírios do sanguinário capitão germânico Adolf Hitler, que em 1939 entrou de sola na Polônia e transformou o mundo em uma praça de guerra nas temporadas seguintes, impossibilitando assim a organização do quarto torneio mundial do jogo criado pelos ingleses.

Finda a batalha, seis longos anos depois, era hora de ressuscitar a competição, que simplesmente caiu no colo do Brasil – a Alemanha, por motivos óbvios, era carta fora do baralho. Em um novo Congresso da Fifa, em Luxemburgo, dois anos atrás, Rimet chancelou a candidatura única brasileira e confirmou o país como anfitrião da Copa do Mundo de 1950.
Objeto do desejo: Jules Rimet entrega a taça aos fortes uruguaios, no torneio de 1930
Estamos agora a pouco mais de dois anos do início do certame – portanto, na metade do caminho entre a confirmação da entidade máxima do esporte e a data prevista para o pontapé inicial da partida de estréia. E o torcedor se pergunta: como andam os preparativos para receber as dezesseis nações da elite do esporte bretão? A resposta, infelizmente, é bem brasileira: não andam. Ainda não foi montado sequer um comitê para tratar das inúmeras questões que envolvem a estruturação de tão complexo evento – nos bastidores da CBD, é comentada a criação de um Diretório Geral destinado a cuidar do assunto, mas este ainda não saiu do papel.

O tempo urge.Além disso, a maioria das capitais brasileiras conta apenas com estádios de porte médio, sem a envergadura necessária para receber as pelejas do torneio máximo do futebol internacional – São Paulo, com o Pacaembu, e Curitiba, com o Durival Britto e Silva, modernas praças esportivas inauguradas nesta década, são as exceções.

Em Belo Horizonte, por exemplo, os estádios de América, Cruzeiro e Atlético são acanhados até mesmo para receber os torcedores das equipes locais; não à toa, o prefeito Otacílio Negrão de Lima, quando assumiu o cargo, destinou polpuda verba para solucionar o que classificou de "imperioso problema" dos estádios da capital mineira. O pequeno Sete de Setembro de Futebol e Regatas aproveitou-se do oferecimento e começou a levantar uma praça esportiva projetada para acomodar 45.000 pessoas, mas as obras seguem em ritmo moroso – se ficarão prontas a tempo da Copa, é uma incógnita.

Em Porto Alegre, o Sport Club Internacional deu início a uma campanha para reformar sua casa, o Estádio dos Eucaliptos, com capacidade para 10.000 torcedores. O principal objetivo é transformar o pavilhão de madeira da rua Silveiro em uma arquibancada de concreto. Mas o projeto também não tem prazo para ser concluído.
Ary Barroso: defensor do Maracanã
Colosso polêmico - A maior preocupação, porém, vem do Distrito Federal. O futuro Estádio Municipal do Rio de Janeiro, o cartão-postal do campeonato mundial aos olhos do mundo, ainda não saiu da estaca zero. Previstos para o início deste ano, os trabalhos de construção do gigante do Maracanã não começaram, o que já causa apreensão entre os dirigentes da Fifa. Emissários da entidade devem desembarcar em breve no Rio de Janeiro a fim de acompanhar os próximos passos desta difícil gênese. Afinal, o estádio vem sendo alvo de polêmica desde que a prefeitura anunciou a abertura da concorrência para sua construção – defendida em campanha popular encabeçada pelo cronista Mario Filho, do Jornal dos Sports. O vereador Carlos Lacerda, da UDN, fez intensa oposição ao projeto na Câmara Municipal. O udenista não concordava com a localização da praça anunciada pela prefeitura (o antigo terreno do Derby Club) nem com sua capacidade (150.000 pessoas), preferindo um estádio de 60.000 lugares em Jacarepaguá. Colega de vereança e partido de Lacerda, o compositor Ary Barroso conseguiu apoio suficiente entre a bancada comunista e garantiu a aprovação do projeto.
Agora só resta tirar o colosso do papel.
Alheio a essas pendengas, o técnico do escrete nacional, Flávio Costa, espera que a perda da Copa Rio Branco para o Uruguai, no mês passado, não abale o moral dos jogadores – que, a bem da verdade, terão muito tempo para esquecer esse revés.

O próximo compromisso oficial da seleção, o Campeonato Sul-Americano, a ser disputado também no Brasil, está marcado apenas para abril do ano que vem. A grande novidade da participação brasileira em Montevidéu foi a estréia do guarda-metas Barbosa, que já vinha se destacando havia algum tempo com a camisa do Vasco da Gama. O atleta de 27 anos teve boa atuação no empate de 1 a 1 contra a Celeste Olímpica, e deve ameaçar a posição de Luiz Borracha, arqueiro do Flamengo, titular de Flávio Costa nos últimos três jogos da Seleção.

No prélio seguinte em terras meridionais, Borracha voltou à meta, mas não pôde evitar a derrota brasileira por 4 a 2 para os campeões mundiais de 1930. Olho neles.

- Em 08 de Junho de 1950, o Brasil fez o último jogo treino antes da estréia na
Copa do Mundo de Futebol de 1950, onde a Seleção Brasileira goleou a Seleção Gaúcha pelo placar de 6x4.

A ala esquerda no ataque: Jair Rosa Pinto e Chico.


No Maracanã, no Rio de Janeiro, é a final da Copa, o Brasil precisava de um empate.
Saiu ganhando e perdeu por 2 a 1 do Uruguai, que foi o campeão.
Desolados, os quase 200 mil torcedores demoraram mais de meia hora para deixar o estádio.
O time brasileiro fez trinta lances a gol (dezessete no primeiro tempo e treze no segundo).
Os jogadores cometeram quase o dobro de faltas, um total de 21, contra apenas onze do Uruguai.

Seleção Brasileira de 1950:

1 Barbosa • 2 Castilho • 3 Augusto • 4 Ely • 5 Juvenal • 6 Nena • 7 Nílton Santos • 8 Bauer • 9 Bigode • 10 Danilo • 11 Noronha • 12 Rui • 13 Adãozinho • 14 Ademir • 15 Alfredo II • 16 Baltasar • 17 Chico • 18 Friaça • 19 Jair • 20 Maneca • 21 Rodrigues • 22 Zizinho • Treinador: Costa

- Jules Rimet, presidente da FIFA, não conseguiu entregar a taça ao Uruguai e decidiu se retirar.
Mas logo depois voltou e Obdulio Varela recebeu a taça. Rimet disse:

"Estou feliz pela vitória que vocês acabam de conquistar. Cheia de mérito, sobretudo por ter sido inesperada. Com minhas felicitações".






A Seleção Uruguaia posando antes da partida decisiva contra o Brasil em 1950.






Da esquerda para a direita, em pé: Varela, o técnico López, Tejera, dois membros da comissão técnica, Gambetta, Matías González, Máspoli, Rodríguez Andrade e outro membro da comissão técnica; agachados, um membro da comissão, Ghiggia, Julio Pérez, Míguez, Schiaffino, Morán e outro membro da comissão.